O tempo não parou pra mim, nem pra você

Eu sei que vai ser difícil te fazer acreditar em mim depois de tudo, principalmente porque dividi as dores com você quando tudo estava acontecendo. Acabei te vendo no meio do tiroteio, as balas vinham de todas as direções, e além de ter de se esquivar delas, você cuidava dos seus próprios ferimentos e ainda arrumava tempo pros meus.


Sei que você não me entende, não te culpo. Não mesmo, às vezes nem eu me entendo, sendo assim, nem posso te pedir pra me entender. Posso tentar te fazer me entender, podemos até tentar isso juntos.
Acho mesmo que fiquei mal acostumado. Você sempre presente, meio misteriosa, escondida nas suas dúvidas e anseios, mas nunca deixou de me ouvir. Nunca escondeu que algumas coisas que eu dizia te incomodavam, mas sempre me ouviu. Confesso que franzia a testa junto com as dúvidas que você trazia, junto com o policiamento que tinha de fazer pra não te magoar sem querer. Te entendia, te respeitava, mas de um jeito ou de outro, aquilo servia mais pra eu reclamar do que qualquer outra coisa.
Hoje sei menos ainda das coisas, sei menos ainda de você e das suas vontades, sei menos ainda da sua vida, do seu cheiro, da sua risada gostosa, por onde você anda e se está bem. Acho que no fim das contas eu me importo e me preocupo bem mais do que deveria e queria, e eu me sinto bem estranho tendo que admitir isso agora, mais ainda sabendo que você vai ler essas coisas todas.
Faz um tempo que não sei pra onde estou indo, nem se tenho mesmo um motivo pra ir, ou até mesmo se preciso. Faz um tempo que não sei o que quero da vida, que não sei o que as outras pessoas querem, e quando sei, não sei dizer se também quero o mesmo, nem se devia querer.
Não estou dizendo que está bom como está – talvez esteja. Talvez até tenha se tornado costume pensar em você e em como você fez bem cuidando de mim. Talvez eu nem saiba mesmo de nada como acho que não sei, e essa deve ser a alternativa mais correta.
Só estou pensando em você mais do que é saudável, você me faz um bem maior do que devia. Esses dias longes de você demoram mais a passar e eu me enfio em alguns becos tentando achar saídas, mas o resultado nunca vem. Você continua aí, fazendo o que eu não sei. Por vezes parece receptiva, outras nem tanto. Sei que são reflexos das suas dúvidas, as minhas também brigam com as minhas coragens, te entendo.
Talvez eu esteja exagerando quando digo que gosto de você, mas talvez não. E é exatamente esse o meu medo.
Anúncios

Um comentário sobre “O tempo não parou pra mim, nem pra você”

  1. Sei que sou seu pai e talvez digam que comentário de pai “não vale”, mas ainda assim; fico me perguntando sobre o que acontece com os habitantes do seu mundo. Tenho a impressão de que fazem movimentos de emigração e imigração em busca do gozo da alma, mas não se dão conta das placas.
    Em uma delas foi, há muito tempo, escrito:
    “Esse garoto tem talento”.
    Parabéns Hugo, pela coragem de se despir escrevendo. Isso não é para qualquer um.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s