Do amor, ou da falta dele

Nunca escrevi sobre mim e deixei claro que era eu falando. Nesse vou contar uma história que aconteceu há uns meses atrás.

O momento era ótimo, as coisas iam muito bem, obrigado. Mas ainda assim, o que deveria me fazer dormir tranquilo, tirava ao menos quinze minutos do meu sono. Algumas dúvidas por tudo ser novo, estar dando certo e durando mais do que todas as outras vezes juntas. Algumas inseguranças por coisas que aconteceram e outras que aconteciam.
Fui pedir ajuda como sempre faço, dessa vez pra alguém que me inspirava muita confiança sem nem ao menos me conhecer há muito tempo. Um cara que sabe das coisas, que passa credibilidade e inspira confiança quando fala. Te conforta mesmo sem falar o que você quer ouvir.
Eu ainda me aventurando nessa coisa de escrever, ele experiente também nisso. Pediu pra que eu lesse um texto. Foi um daqueles textos que doem mas te fazem sorrir porque mostram a verdade, que te batem mas logo em seguida te fazem um cafuné. Que sussurram assim no teu ouvido antes do gongo tocar: “não vacila na guarda que é lona”.
Do amor
“Não existe investimento seguro. Amar é ser vulnerável. Ame qualquer coisa e seu coração irá certamente ser espremido e possivelmente partido. Se quiser ter a certeza de mantê-lo intacto, não deve dá-lo a ninguém, nem mesmo a um animal. Evite todos os envolvimentos, feche-o com segurança no esquife ou no caixão do seu egoísmo. Mas nesse esquife seguro, sombrio, imóvel, sufocante ele irá mudar: não será quebrado, mas vai se tornar inquebrável, impenetrável, irredimível. O único lugar fora do Céu onde você pode se manter perfeitamente seguro contra todos os perigos e perturbações do amor é o Inferno”.
C. S. Lewis
Terminei de ler e ele foi logo me perguntando: “E aí, vai querer viver onde? No céu ou no inferno?” Titubeei porque o momento não ia me deixar agir diferente. Quis mesmo ver onde eu conseguia chegar e o provoquei dizendo que queria viver no umbral, ele logo retrucou e disse que o umbral e o inferno dariam no mesmo. Hesitei, mas disse que viveria no céu.
Acho que fiz a escolha certa. Dói quando as coisas que davam certo começam a dar errado, dói ainda mais quando os dois esquecem que antes de dar errado deu certo, e eles insistem em falar do errado, mesmo que tenha vindo bem depois. Dói enquanto o tratamento tiver que ser anormal pra não doer mais. Doer dói, mas estar apaixonado é se sujeitar mesmo a sentir dores.
Sair sem guarda-chuva sem medo de se molhar, pular sem medo de cair e se ralar, andar sem medo de tropeçar, sair de casa sem medo de se apaixonar. Ou talvez seja melhor esquecer o guarda-chuva torcendo pra chover, andar por terrenos diferentes imaginando que tropeçar vai te fazer aprender, sair de casa querendo mesmo se apaixonar.
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