Chuva da janela

[Você pode ler esse texto ouvindo Milo Greene – 1957]

Choveu e de dentro do ônibus pude olhar o mundo através de uma gota d’água que repousava na janela. As coisas perdem foco, ganham brilho e eu passo a enxergar diferente.

Vi que justo da primeira vez que as coisas pareciam tomar um rumo diferente do que sempre foi, aconteceu de novo. No deslizar dos dedos pros lados, era mais um rosto bonito que ia pra direita.

Até aí tudo bem, qual a chance de dar em algo? existiam outras oportunidades menos remotas e outras já concretas. E mesmo quando todas as minhas experiências passadas apontavam pra uma direção, minha teimosia somada a algum pressentimento me fizeram persistir até a direção apontada ser outra.

Há quem vá dizer que não era momento, que seria mais fácil se não soubesse nada sobre você, ou que estava delirando por achar que algo surreal como aquele pudesse ter sequência. Mas pras essas coisas, o óbvio nunca foi mesmo o que mais me atraiu, e nada nunca precisou fazer sentido.

Prometi a mim mesmo que não iria tentar planejar nada, deixar a maré me levar mesmo que virasse tempestade. Então cá estou. Dizem que mar calmo nunca fez bom marinheiro, então assim eu deixo ir, me molhando com a chuva que cai.

Nunca fui bom com quebra-cabeças e sempre odiei não ter controle de nada. Deve ser por isso que fico doido quando este puto que habita o lado esquerdo do meu peito se atreve a tomar as rédeas, não tem quem o segure nessas horas. Ninguém nunca conseguiu, pelo menos não até agora.

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