bom dia

[você pode ler esse texto ouvindo Mess is mine – Vance Joy]

manhã de sábado chuvosa, que pecado. a água que cai ajuda a escorrer o cinza do dia, o calor do quarto briga com o friozinho da cidade e deixa o vidro da janela embaçado.

enquanto afundo a cabeça no travesseiro buscando uma posição confortável, o silêncio das oito horas me convida a fixar os olhos no teto. mente distante, turbilhão de pensamentos indo e vindo.

viro um pouco a cabeça, meu olhar agora repousa sobre uma parte do teu braço que sobra fora do lençol que te cobre. nunca reparei no quanto o moreno da tua pele parece harmonizar com tudo em volta. a pouca luz que entra no quarto e ganha da barreira formada pela cortina consegue iluminar tua silhueta que se forma com ajuda do lençol.

um feixe de luz invade o quarto sem pedir permissão e destaca teus lábios. dois segundos encarando-os foram suficientes pra prender minha admiração por mais dois minutos. lembrei da primeira vez que nossos lábios se encontraram, do quanto teus lábios me surpreenderam por serem macios como só eles são nesse mundo.

o cheiro do café da vizinha chega até mim. ponho os pés pra fora da cama, calço os chinelos, saio tentando fazer nenhum barulho. três colheres de pó de café no coador e ligo a cafeteira. volto pra cama.

deito virado pra ti, meus dedos correm teus fios de cabelo e depois tocam o rosto. um suspiro seu, seguido de algum movimento tentando se ajeitar na cama. teus olhos recém abertos miram com ternura o fundo dos meus ainda sonolentos. bom dia.

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