bagunça tua

[Você pode ouvir esse texto ouvindo Cícero – Tempo de pipa]

Vem cá, senta aqui. Me conta tudo. Me conta dos teus medos, dos teus sonhos, dos teus planos, da tua vida e o que você quer fazer com ela. Me fala dos seus romances ou das tentativas de, me fala sobre essas cicatrizes e como você as conseguiu, diz pra mim se todas elas já estão curadas ou se alguma ainda dói de vez em quando.

To batendo na porta, me deixa entrar se quiser. “Não repara na bagunça.” Tudo bem, talvez mais pra frente a gente até consiga arrumar juntos. Me fala do teu caos pra eu ver onde me encaixo nele.

Me fala de você. Diz que é como todos nós.

Diz que já viveu o suficiente pra sofrer de amor e que tem medo de se machucar de novo. Que isso é o que mais te afasta de um novo relacionamento. Que se machucou de tanto pular de cabeça no raso. Que se alguém coloca o pé vai ver que a água ta gelada e pensar duas vezes antes de mergulhar, mas que isso não é só culpa sua, que você divide essa culpa com todos que vieram antes de mim. Pode falar, eu acredito.

Eu acredito porque também sou assim. Quando você chegou deu vontade de dizer “desculpa, alguém passou aqui antes e levou tudo. Não parei pra ver, mas acho que não sobrou muita coisa, mas entre se quiser.”

Eu não tenho problemas em estar aqui no meio da sua bagunça, mas preciso saber se trago uma troca de roupa ou a mala inteira.

É só que a mala pesa, então não vamos muito longe se eu precisar ir e vir com ela a todo o tempo.

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